terça-feira, 18 de abril de 2017

Ele tirou a própria vida. Qual o sabor do seu sal?

 Acabei de receber a notícia que um jovem de minha denominação, que sofria de depressão, tirou a própria vida.

A primeira coisa que me ocorreu foi escrever. Primeiro, porque é assim que me expresso, segundo porque acredito que de alguma forma este meio se propaga mais que minha voz.

Porém o que tenho a dizer me machuca tanto que gostaria de nem ter pensado:

Se não somos capazes de temperar vidas não servimos para nada.

"Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens." Mt 5.13

A discussão da Igreja não pode girar em torno da escatologia, não neste momento, não devemos procurar culpados e nem mesmo nos culpar. Devemos mudar nossa forma de agir agora, para que nossos ministérios sejam capazes de salgar vidas e salvar vidas.

Me preocupa o fato de ainda acreditarmos que alguém dentro do templo está dentro da Igreja. 
Temos um dever de acompanhar cada jovem, cada criança, cada ancião no cotidiano, amá-los a ponto de ser sal, na medida certa em suas vidas.

Um jovem se vai, nos resta orar ferventemente para que a família encontre nos braços do Pai o consolo indescritível de Sua Graça.

Para nós a responsabilidade de mudar ainda hoje, evitando que sintamos novamente esta sensação de impotência. Cuidando, acompanhando e discipulando cada pessoa que conhecemos na igreja de Cristo, pois somos corresponsáveis pela salvação de todo o corpo.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Minha mãe trabalha na escola dos adolescentes assassinados

Meu coração está doendo, semana passada um deles foi à escola pedindo para beber água.

Minha mãe trabalha em uma escola que fica a poucos metros de onde estas crianças foram mortas, dois deles estudaram lá até pouco tempo, e o outro menino era sobrinho de outra funcionaria.

Os garotos, um deles ainda com a roupa da escola, tentaram roubar um carro, porém o dono do veículo reagiu atirando. Os três caíram na calçada e no último suspiro de uma curta vida, fazem minha própria família chorar pelo fato de serem jovens, próximos e não terem encontrado compaixão.

Na minha Time Line do Facebook um amigo publicou a seguinte frase sobre o episódio de ontem:
“Inversão de valores. Só quem já foi assaltado/roubado/feito refém/sequestrado sabe o quão ruim é. Não me misturo com vagabundo por um motivo simples. Não compactuo com essa raça. Vítima da sociedade é o cidadão de bem, que acorda cedo todos os dias para trabalhar e está sujeito a esse tipo de situação no seu cotidiano.”

Em minha opinião, há uma inversão de valores sim, a vida humana perdeu seu valor, e as pessoas priorizam mais as coisas e o próprio bem-estar do que a vida de seu semelhante. Os meninos que morreram não são vítimas da sociedade, infelizmente, são vítimas dos cristãos.

Jesus disse: ‘Deixai vir a mim as crianças, não as impeçam’ (Mt 19.14). Que tipo de cristãos somos, se não estamos refletindo Jesus para estas crianças, meninos que roubam, matam, sequestram, meninas que se prostituem, mentem e muito mais.

Pastores, Padres, Reverendos até quando vocês permitirão que seus rebanhos impeçam as crianças de se aproximarem de Jesus?
Membros, Fiéis até quando vocês permanecerão dentro das igrejas sem ser Luz e Sal, e principalmente sem refletir a imagem de Deus para um mundo caído?

O assunto desta noite aqui na casa da minha mãe está sendo a brutalidade que eles foram tirados da vida, não tem ninguém aqui defendendo as atitudes ou escolhas destes jovens meninos, na verdade estamos tomados de profundo pesar, por não termos sido nós os espelhos que despertaram estas crianças de suas vidas vãs e lhes mostraram uma alternativa. Longe do crime, longe das ruas escuras, perto do Jesus que dá escolhas.


Minha mãe está mais quieta, as fotos chocam, as mensagens não param, todos estão sensibilizados. A nós, cabe a certeza que precisamos reverter os valores e acreditar que todos os homens podem mudar e todos os meninos podem aprender.

Prendam estes covardes, mas prendam todos eles


Vi o tal vídeo, que a estas horas já correu o mundo: dois policiais militares do Rio de Janeiro, executam dois suspeitos em uma comunidade do nosso estado.

Uma comoção popular, todos revoltados e polarizados: de um lado quem acha que "bandido bom é bandido morto", do outro quem acha que a covardia foi dos policiais. 

Bem, vi muitas postagens que só me admirariam mais se todos os cristãos já fossem santos.

Pior são uns crentes que defendem a atitude pecaminosa de tirar uma vida (veja bem, a lei de nosso país só considera excludentes de ilicitude 4 situações específicas, nenhuma das quais estavam presentes) - se é ilícito é pecado. 1. Não havia qualquer perigo à vida, 2. não estavam em estado de necessidade, 3. não é este o dever legal da polícia, 4. Ninguém tem o direito de exercer o trabalho regular de um carrasco, sem o devido julgamento. Cristaos não podem defender o pecado.

Bandidos roubam, matam, estupram e fazem nossa paz ser questionada, porém o que os bandidos precisam é de Jesus. (E um julgamento justo de suas transgressões perante a sociedade)

Policiais protegem, salvaguardam, lutam, sacrificam a própria vida pelo serviço da pátria - (mas alguns se corrompem, matam, roubam e denigrem a imagem de toda instituição), porém o que todos os policiais precisam é de Jesus.

Não podemos ficar esquecidos de que temos um propósito específico nesta terra: pregar Jesus, levar amor a todos os homens através de uma mensagem de regeneração e liberação.

A sociedade é injusta, a humanidade corrompida, mas todos, absolutamente todos são alvos do amor de Deus (sem mimimi pseudo teológico). Não podemos imaginar que o Deus justo e santo está feliz em ver uma criatura sua ser morta covardemente, como ele não fica feliz quando cada policial, bombeiro, militar, padeiro, médico, motoboy, pintor, estudante etc... morrem.

Quem não consegue amar, precisa considerar o fato de que não faz ideia de quem é Deus. (I Jo 4.8) E isso inclui: bandidos, policiais e todo o resto.

Dicas:
Se você acha que deve amar só os amigos, leia e releia: Rm 12.20; Mt 5.43-45; Lc 6.27-28

Se você acha que deve amar só os irmãos de fé, leia e releia: Rm 12.20; Lc 10.25-37

Se você tem dificuldade de entender este tipo de amor, leia e releia: Tg 1.5; Jo 13.34-35; Jo 15.12-13

Se você gostaria de ver todos os bandidos mortos, leia e releia: Lc 23.43; I Tm 1.15; Jo 10.10; Lc 6.27-37

Se você acha que não tem nenhum compromisso de se manifestar sobre isso leia e releia: Sl 5.4; Jr 1.9; Tg 4.17; Cl 3.25; Rm 1.18.

Agora que você analisou minha concepção, estou ansioso para ouvir as suas: comente e compartilhe.

terça-feira, 21 de março de 2017

O "problema da Carne" é mais grave que parece

A Polícia Federal mantém sob investigação 21 frigoríficos no país, que supostamente estão envolvidos em corrupção e podem ter a qualidade de seus produtos questionada.

Porém o problema é bem mais grave do que pensamos. Quando revelações como estas são feitas, fica cada vez mais claro que a corrupção pode prejudicar todos os aspectos da vida humana.

Quando Jesus estava no Getsêmani, agoniado pela morte vindoura, seus amigos mais próximos estavam com ele, mas a corrupção impedia que eles permanecem atentos. A resposta de Jesus a este comportamento foi precisa: Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; (Mt 26.41 - Mc 14.38).

Se cada administrador público, cada funcionário e em última análise cada trabalhador deste país vigiar e orar, não haverá queda na tentação da corrupção. Por mais evoluídas espiritualmente que as pessoas pareçam estar, elas não podem esquecer de que a carne é fraca (o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.).

O problema da Carne é o problema do homem, que em todos os seus caminhos esquece do seu próximo e luta por seus próprios interesses; não vigia nem ora; cai em tentação.

Para resolver o problema da carne, comece seguindo as orientações de Jesus, depois ensine outros a seguirem e por fim, fale para estes repassarem a instrução, até que todos saibam qual é o certo a se fazer.
P.S.: Se ainda assim eles não quiserem fazer o certo, saiba que você cumpriu o seu papel diante de Deus de pregar o Evangelho a toda criatura.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Crente Folião

Uma leitura para o Carnaval


Sou um triste pierrot mal amado, mestre-sala desacompanhado(...) [mas] Se você voltar pra mim, juro para sempre ser arlequim.

                Parece que a Commedia Dell’Arte acertou em definir personagens para o Carnaval atual, parecemos ter apenas duas opções nesta época: ser um triste Pierrot, ou bobo Arlequim.

            Eventualmente, as pessoas que aderiram ao cristianismo depois de certa idade, têm a amargura interior de passar por esta época do ano com uma profunda tristeza, como se ainda fossem foliões que, impedidos pela obrigação, choram tristes, sem a Colombina, perdida para os que ainda estão ‘no mundo’. Obviamente, alguns filhos de crente, os cretinos, sofrem a mesma amargura.

 Tenho pra mim que o gosto por festas e folias tem um toque de perdição, mas também acredito que o cristão verdadeiro será tentado de várias formas de acordo com suas paixões e desejos. Isso quer dizer que, nem sempre aquilo que representa um problema para mim, vai, necessariamente representar para o coleguinha do lado.

O Pierrot sofre potencialmente pela perda de sua amada Colombina, enquanto feliz o Arlequim comemora a conquista. Para alguns a Colombina é o carnaval e tal qual o 'triste Pierrot' choram, ainda que em única lágrima, sua crucificação. Já para outros a Colombina é a fé, para estes é só alegria, ficam como verdadeiros bobos da corte festejando a beleza da salvação e o fato de pertencerem ao Cristo de Deus.

Claro, as comparações com os tradicionais ícones do carnaval brasileiro limitam-se apenas a isto. Mas cabe um questionamento de vida:

Como você tem se posicionado diante do pecado?


Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos.

Gálatas 5:24

Este texto apresenta o maior desafio para os cristãos que ainda vivem neste mundo: em primeiro lugar pertencer a Jesus, depois crucificar a carne e, por fim, crucificar as paixões e desejos.



Pertencer a Jesus


Neste exato momento milhares de pessoas já começaram seus preparativos para desfilarem, ou saírem em seus blocos, elas tem toda preocupação de que tudo saia perfeito, estas pessoas pertencem ao Carnaval. Talvez algumas delas não tenham nem dormido esta noite, de tantos afazeres que ainda têm.

Aos Gálatas, Paulo demostra que existem pessoas que pertencem ao mundo, e para ele o viver ou comportamento destas pessoas pouco importa aqui. Mas ele também conclui que há pessoas que pertencem a Cristo Jesus. Pertencer a Cristo tem suas implicações, só pertence de verdade quem deve satisfação; quem não tem ‘autonomia’ [uma lei inventada por si mesmo]; quem ouve; quem segue; só pertence a Cristo aquele que anda como ele andou.

Algumas pessoas vão dizer que se Jesus estivesse nos nossos dias ele não iria para o retiro, nem viajaria com a família, nem tampouco iria para o culto no templo. Jesus estaria no meio dos blocos pregando a salvação.
Concordo plenamente.
Mas antes de Jesus ir aos pecadores, Ele foi até Deus Pai. Jesus se preparou durante uma vida, após seu batismo fez um mega jejum, orou muito, caminhou muito em direção ao Pai, para só então caminhar entre as multidões. O problema é querermos ir aos homens sem primeiro ter ido a Deus (At 1.8). [Não que possamos encontrá-lo, mas Ele será achado de nós]

Pertencer a Jesus é agir como ele, influenciar, não ser influenciado

Crucificar a carne

            Ao contrário do que alguns pensam, carne não é o mesmo que corpo. A confusão se dá, basicamente por conta da ideia de que a matéria é ruim, e de que o espiritual é bom, formando um octógono interior onde nunca temos paz nessa batalha.
            Na verdade, o corpo, feito por Deus, deve ser bem cuidado [olha quem fala], respeitado em suas limitações e também servir como meio de glorificar a Deus.
            Agora, a carne deve ser crucificada. As sensações que temos que nos lembram do pecado, a vontade de sentir coisas que ainda não experimentamos, tudo isso tem origem na carne.
Sempre que nos vemos lutando contra pensamentos e pecados, estamos crucificando a carne. Quando deixamos que nossa mente pule o carnaval, quando alimentamos lembranças de épocas de Arlequim, provavelmente estamos tirando a carne da cruz.


Crucificar as paixões e desejos

Aqui tem o maior segredo de todos, a Cruz de Cristo. Se não levarmos todas as nossas paixões até a cruz, dificilmente abandonaremos nossa prática de pecado. Se já entendemos que pertencemos a Ele, se sabemos que não devemos alimentar pensamentos pecaminosos, o próximo passo é sujeitar a ele nossas paixões e vontades.
Paixão é tudo aquilo que me envolve, as coisas que nem queria gostar, mas o meio em que vivo me empurra para esta realidade. O desejo ardente de ter, possuir, ou até mesmo conquistar determinada coisa ou pessoa.
Desejo é a fome por algo, é a gana que move alguém até o objeto de sua ambição. O desejo faz nascer o envolvimento da paixão.
Crucificar as paixões e desejos envolve muitas vezes dizer para si mesmo que aquela vida não existe mais. É o exercício constante de renovar sua mente [metanóia] conforme a mente de Cristo. Glória a Deus pois temos a mente de Cristo (I Co 2.16).
Se não me empenhar em reduzir os meus desejos pelo pecado, se eu abandonar a preocupação com meu estado interior serei sempre ‘pierrot mal amado, mestre-sala desacompanhado’.
Nesse carnaval não ceda aos impulsos de parecer com o mundo e viver na carne. Antes, com a convicção de que você pertence a Deus, crucifique-se por inteiro, deixando sua carne e suas paixões aos pés de Cristo.                                                                                                                                                                                                                                                

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Sofrer dano

Este fim de semana, realmente, foi um dos mais intensos da minha vida. Além de ter experiências extraordinárias com Deus, tive a oportunidade de me relacionar com pessoas de diversos lugares do país que de alguma forma me impactaram.

        Sempre que algo tão arrebatador acontece, tenho a iniciativa de reorganizar minha vida para manter um olhar mais focado em Cristo. Com isso, retomei o livro de Hernandes Dias Lopes, que já li algumas vezes, mas que continua a falar como um grito em meu coração: O Derramamento do Espírito, obviamente a minha intenção era uma só: ser preenchido por completo da sensação de que Deus me chamou para o sagrado ofício e eu tenho que busca-lo até O encontrar.

        Mas dessa vez eu parei logo nas primeiras páginas. Enquanto escrevo este texto, lembro-me das palavras edificantes que me trouxeram de novo às teclas para expressar minha gratidão a Deus por esta experiência.

       O pastor Júnior Mendes, em sua mensagem na noite de sábado, apresentou características da igreja e do discípulo, com base em I Coríntios, a mais emocionante foi: nós precisamos estar dispostos a sofrer dano, não saiu da minha mente esta definição, e em minha leitura me deparei com isto:

A intervenção de Deus, libertando a Romênia das mãos impiedosas e cruéis de Ceausescu, em apenas dez dias começou no dia 15 de dezembro de 1989 e acabou no dia 25 de dezembro do mesmo ano. A mudança radical em toda aquela nação, que levou à queda de um ditador carrasco, foi iniciada por uma pequena igreja reformada, de oitenta membros, na cidade de Timishoara. A polícia secreta de Ceausescu cercou a casa do pastor Toderick para expulsá-lo da cidade. Os crentes, corajosamente, cercaram a casa do pastor. A polícia buscou reforço, e os cristãos da cidade uniram-se ao redor da casa, fazendo um grande cordão humano. À noite, quando a polícia chegou, com violência e de armas em punho, encontrou uma pequena multidão resistindo bravamente àquela atitude autoritária. Um jovem batista comprou velas e as distribuiu aos crentes presentes. As velas iam sendo acesas, à medida que a polícia, impiedosamente, atirava sobre a multidão, abatendo homens, mulheres e crianças.
Esse jovem batista levou um tiro na perna. Correram com ele para o hospital. Precisaram, de imediato, amputar-lhe a perna para salvar-lhe a vida. Alguém, compadecido dele, perguntou: "Você está arrependido?" Ele disse: "Não. Eu perdi uma perna, mas acendi a primeira vela."

         Quanto dano estamos dispostos a sofrer para acender a primeira vela da mudança da igreja brasileira?

          Perder uma perna pareceu aceitável diante dos eventos que seguiram:

Dentro de uma semana, cerca de cem mil pessoas estavam nas praças (...) Naquela mesma semana, caiu o ditador da Romênia e o país ficou livre. (...) a igreja de Cristo, até então perseguida ali, está florescendo extraordinariamente, e o país inteiro está se erguendo das cinzas.


         Mas para nós, hoje, qualquer dano parece demais, uma simples topada em obstáculos é motivo para o arrependimento. Vivemos tão indispostos a sofrer, que a própria ideia do sofrimento não é bem vista. O chamado de Paulo surpreende até mesmo os mais pessimistas quanto às dificuldades da vida Cristã. Deus o chama para sofrer: “Revelarei a ele tudo quanto lhe será necessário sofrer por causa do meu Nome” At 9.16 (KJA). Ainda assim o Apóstolo recebe sua sina com alegria, pois sabia que estava acendendo velas para a mudança do mundo.

Somente com o Espírito, nosso mentor, mantemos a fidelidade necessária para sofrer o dano que assombra todos que insistem em ser missionais.


Curiosamente, no livro de Lopes, encontrei a mesma necessidade que as mensagens que ouvi neste fim de semana suscitaram: clamar mais por poder de Deus. Porque ainda nos falta coragem e fidelidade ao chamado de Deus, para sofrermos o dano e ainda assim exaltar a Cristo em meio a nossa geração.

Que a Paz de Cristo esteja com você.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Ambição: Eike Batista preso


É indiscutível que algumas coisas funcionam melhor regadas a dinheiro. Principalmente no setor público, no qual o excesso de burocracia faz com que certas questões levem muito tempo para serem resolvidas. Quando se tem dinheiro, a facilidade abre caminho diante de todos os obstáculos que uma pessoa comum enfrenta.

O multibilionário Eike Batista foi o homem mais rico do Brasil, durante um bom período sua fortuna ultrapassava números imensuráveis pela maioria da população mundial. A projeção para a ascensão dos seus negócios previa que ele chegaria a ser o homem mais rico do mundo; entretanto alguns erros de cálculos, superestimados resultados sobre os reais lucros de seu negócio fizeram com que sua fortuna caísse abruptamente.

Com o desenrolar da operação Lava Jato, foi descoberto que cerca de 50 milhões de reais teriam sido pagos como propina ao ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, exatamente pelo ex-promissor "homem mais rico do mundo", o empresário Eike Batista. Quando o mandado de prisão foi expedido, o empresário estava fora do país, isso fez com que houvesse uma mobilização mundial para encontrar e prendê-lo. Até a Interpol (Polícia Internacional) envolveu-se na busca, até que finalmente ele se entregou no aeroporto de Nova York e foi encaminhado para o Brasil, onde foi preso e conduzido ao Complexo Penitenciário de Gericinó.

Toda esta notícia, profundamente escandalosa, nos faz pensar sobre o poder que a ambição exerce no ser humano.

Ter ambição é bom, querer chegar a lugares melhores,  ir mais alto, é comum e necessário para que o ser humano progrida em suas empreitadas da vida. Entretanto, quando a ambição se torna uma patologia espiritual, nos tornamos escravos exatamente daquilo que poderia melhor nos servir. Quando a Bíblia nos orienta a respeito de riquezas, (Mt 6) Jesus é bem enfático em dizer que não deveríamos ajuntar tesouro na terra, onde a corrupção pode atingir - obviamente Jesus estava se referindo a degradação que certos acúmulos sofriam ao longo do tempo. Se guardasse trigo, mais do que a capacidade de consumir ou vender, isso faria com que a traça comesse; se guardasse vil metal a ferrugem chegaria.

Porém, quando analisamos a grande proposta que Jesus apresenta para nós, vemos que colocar nosso coração nas riquezas gera deterioração, tanto fisica como moral. 
Obviamente algumas pessoas vão se destacar financeiramente das outras,  dentro das Comunidades religiosas e dentro do cristianismo como um todo, haverão pessoas com boa condição financeira e pessoas pobres, porém, a grande proposta de Jesus é que não haja ninguém entre nós com necessidades, que essas necessidades sejam supridas pela liberalidade daqueles que compreendem o chamado de Jesus.

Agora quando trazemos a questão da ambição para uma proporção menor conseguimos enxergar as mais diversas áreas de nossas vidas atingidas por ela. Até mesmo em situações que nós não acreditamos que ela está presente, como por exemplo dentro das igrejas, encontramos pessoas aficcionados por ocupar certos cargos, por chegar até certas posições e por desenvolver determinados papéis dentro da estrutura eclesiástica. Essas pessoas acabam por negociar a sua fé e sua integridade fazendo coisas, muitas vezes, imorais para alcançar um objetivo que propuseram em seus corações.

A ambição em querer ocupar certas posições dentro da igreja de Deus não é condenada pela bíblia, inclusive na primeira carta de Paulo a Timóteo, no Capítulo 3, ele diz claramente que quem deseja o episcopado, ou seja, o serviço ministerial Cristão, deseja uma excelente coisa. Contudo, as características que fazem parte dos que PODEM cumprir esse desejo são bem específicas. Não se pode vender-se moralmente na expectativa de alcançar uma posição de destaque na igreja do Senhor. Até porque em todas as orientações para escolha de líderes para igreja, a primeira característica é que eles sejam irrepreensíveis.

Quando a ambição ultrapassa os limites da ética podemos dizer que ela perdeu completamente o propósito na vida do ser humano, quando tratamos do Cristão devemos entender que a ambição precisa ter propósitos que visem a glória de Deus. Sempre que nos propusemos a trabalhar tanto, para chegarmos em posições de destaque, de forma que possamos, no lugar mais alto, proclamar o nome de Cristo, não fazemos nada de errado. Só que no meio do caminho nos perdemos, dando valor aos bens materiais, ao conforto que é proporcionado por certas posições e acabamos perdidos diante de uma geração corrupta.  Por essa mesma razão, a Bíblia orienta a desenvolvermos nossa salvação com temor e tremor, pois à medida que estamos no convívio com homens maus, devemos resplandecer a luz de Cristo com maior vigor.

A prisão de Eike Batista serve de memorial aos que ambicionam lugares altos no Corpo de Cristo: não negocie sua moral, por que cedo ou tarde a Justiça vai chegar, o Justo Juiz virá.

Grande abraço e fique na Paz.

Como alcançar o sucesso

"Deus está farto de sermos Crentes, Ele não aguenta nossas formalidades, nosso jeitinho de fazer as coisas"

Meu maior sonho é ser bem visto... Por Deus e pelos homens, mas sempre tenho a impressão de estar fazendo tudo errado. 

Primeiro por que me parece que os grandes homens da história, que certamente foram bem vistos por Deus, na minha idade já estavam desenvolvendo ministérios super produtivos. Não digo em fama ou reconhecimento, mas em serviço; eram pessoas que já haviam levado muitos outros a Cristo, que pregavam com destreza e certamente estavam dispostos a trabalhar intensamente para o Reino de Deus.

Segundo por que também não sou bem visto pelos homens, principalmente os religiosos. Sempre me enxergam como herege ou falastrão. Não me levam muito à sério. É sempre mais fácil lidar com os que não fazem parte do cristianismo ainda, ou aqueles que, como eu, enxergam as coisas um pouco diferente.

Eu gosto de bolo de todos os sabores, um amigo do Sul me ensinou que bolo (especialmente a cuca) se come até com molho... (eu sei que parece loucura). A questão é que só se faz bolo na forma, gosto do formato que o bolo tem, gosto de bolo redondo, quadrado, de pote, em forma de coração, mas a forma vazia não me interessa, não me chama atenção.

Eu querendo ser bem visto por Deus e pelos homens preciso encontrar um ponto em comum, e isso vai estar na forma e no conteúdo que eu vou ter. Na forma por que não basta ser, tem que parecer; às vezes a aparência serve como critério de desempate... já que a intenção é agradar a Gregos e Troianos, vamos em frente. 
No conteúdo eu preciso ser composto de todos os elementos que qualificam alguém bem visto. No exemplo acima, não dá para colocar lama em uma forma e levar ao forno à 180° por 30 minutos e dizer que aquilo é um bolo. Só nas brincadeiras de crianças que isso toma corpo e finalidade.

Aqui nasce o problema: e quando os homens estão mais preocupados com a forma do que com o conteúdo?

Obviamente alguém vai interromper, e com razão:
Mas todo aquele que é bolo parece com bolo.  Algumas aparência enganam... Nem tudo que reluz é ouro, mas todo ouro reluz...

Nada mais justo! Mas deixe-me falar da minha aliança. 
Quando vc estiver comigo ou com minha esposa peça para ver nossa aliança... eu durante algum tempo desconfiei de que aquilo não era ouro, mas como quem forjou foi um amigo de confiança não dei cabo da suspeita. Um dia, fui a casa de penhora estimar o seu valor, quase temendo uma decepção. Foi quando descobri que era de fato ouro e que a aparência não comprometia seu valor.

Ter forma sem conteúdo é frustrante. É como uma linda forma, ou pirex, cheio de lama, não importa o quão bonito seja, é completamente decepcionante. No livro do Isaías, Deus começa a conversa mostrando como eles decepcionaram Deus, e segue falando de como a forma com que eles faziam as coisas era vazia, todo o cenário é de horror, por que todas as coisas estavam no seu perfeito lugar, mas nada era autêntico. 

Parem de me trazer ofertas vãs (Is 1.13) Ainda que vocês orem mais, não ouvirei (Is 1. 15). Não adiantou para aquele povo fazer tudo conforme o combinado, eles não tinham o essencial: o conteúdo. Não eram piedosos, não eram justos. Assim como muitos homens que buscam os seus próprios interesses, aqueles homens viviam uma fatídica artificialidade.

Alguns, por esta falta de conteúdo, chegam a tomar a forma do mundo (Rm 12.2), evitando, em alguns momentos, parecer Cristão... Fazendo coisas que não convém aos santos... Acabam por viver uma bipolaridade espiritual: No dia de culto acorda cedo, arruma as coisas, vai ao local de culto, prega, toca, canta, ora e até chora de tanta unção; no dia seguinte posta foto sensual, liga para o(a) amante e marca um encontro às escuras e vive o ápice do seu prazer carnal. Mas no próximo culto o fogo cai.

Este tipo, provavelmente vai fazer sucesso entre os que carecem de discernimento, vai ocupar lugar de destaque perante os homens e ser bem visto até pelos de fora do convívio cristão, mas a sentença deste é maior do que a que eu poderia suportar.

Sabe Deus... então Ele não se importa muito com a forma vazia. É como a árvore improdutiva, não importa o quão bonita seja, só serve para carvão. O conteúdo nem sempre está na forma mais bonita, às vezes, no pote, nem parece que teve forma pra fazer, é eventualmente frágil, do tipo que quebra quando aperta, mas não deixa de ter cheiro, consistência e sabor. Os olhos podem enganar, o coração pode enganar, a prova não engana... É na hora de provar que vemos o sabor de quem tem conteúdo.

Deus não vê as coisas e aprova, Deus prova, se tiver os elementos que qualificam ele aprova. Nem todos que são provados têm o sabor da verdade.

Quanto a mim, eu corro...Para que no final não seja reprovado.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Jesus no sistema prisional brasileiro

Ontem, aqui no Rio de Janeiro, os Agentes Penitenciários entraram em greve, devido aos pagamentos dos salários estarem atrasados. Meia-noite eles informaram que a greve impediria inclusive as visitas aos presos. Eu havia saído da frente do Complexo Penitenciário de Gericinó, o famoso Bangu, há menos de meia hora, porém só fiquei sabendo da greve de manhã.
Tenho um parente preso lá e naquela noite, véspera de visita, levei sua mãe para a visita quinzenal, ela tinha algumas bolsas com comida e itens de higiene, por que sabemos que falta o mais básico, do papel higiênico à refeição regular. Meu parente conta que almoça ou janta, nunca os dois.
Infelizmente estamos condicionados a um sistema prisional falho e nossos próprios conceitos, a respeito dos benefícios ou malefícios da cadeia, estão prejudicados pela nossa forma de enxergar a pessoa que comete crime.
Desde a época de Cristo já havia um sistema penal para punir quem age fora da lei. Jesus foi acusado de um crime, que independente de ser inocente ou culpado, levava a um processo para definir sua pena. O processo de Jesus foi extremamente rápido, a agilidade com que ele foi acusado, julgado e condenado é de causar inveja aos melhores sistemas judiciários do mundo. Contudo, a lisura do julgamento fica comprometida pelo Indulto de Páscoa que ameaçou a justiça daquele pleito. Jesus é levado a júri popular, e desde aquela época: “a voz do povo é a voz de Deus”. Note-se que a prisão preventiva de Cristo (as chicotadas), não foram suficientes para aplacar a ira do povo. (João 19)
Se Jesus estivesse no sistema prisional brasileiro no século XXI, ele teria ficado muito tempo em prisão preventiva, aguardando um julgamento que provavelmente seria sem a lisura esperada. Enfrentaria diversas dificuldades com a demora do defensor público, pois vinha de família pobre e não tinha muitos recursos para contratar um advogado que cuidasse do seu caso, se depararia com profissionais que fazem seu trabalho com pouco, ou nenhum comprometimento, entre outras amarguras.
Por fim, seria condenado a reclusão pelo maior tempo possível, enfim Jesus Cristo estaria condicionado ao sistema prisional brasileiro, ainda que inocente de qualquer pecado, como muitos que são inocentes de suas acusações, estaria preso. E poderia, como meu parente, estar em Bangu cumprindo pena com os demais detentos.
O questionamento então é: Como nós, cristãos, cumpriríamos as orientações do Mestre de visitar os presos se estivéssemos privados de entrar por conta de uma greve?
Diversas pessoas têm falado que, tanto os massacres que ocorreram no Amazonas e em Roraima, quanto o recente no Rio Grande do Norte, são ‘mais que perfeitos’: que “bandido bom é bandido que fora morto”, e que os detentos não merecem tratamento digno, nem sequer humano. “Afinal, merecem pagar pelo mal que fizeram a tanta gente.”
Jesus estaria em uma condição deplorável, não teria almoço, penduraria suas roupas acima da própria cabeça enquanto tenta dormir; Cristo correria o risco de ser alvejado e atacado por outros presos, teria que ter muito jogo de cintura para continuar vivo, pois muitos dos que entram na cadeia são agredidos, violentados e mortos. O messias sofreria com o abuso de autoridade de alguns maus agentes. Estaria, talvez, tão aflito quanto no Getsêmani.
O posicionamento do cristão diante da injustiça social que fazemos com aqueles que cometeram ilícitos e estão pagando por eles, deve ser de solidariedade. O cristão, principalmente, não pode olhar para a situação dos presídios do Brasil e achar que os detentos estão colhendo o que plantaram e “quanto pior, melhor”.
Nós precisamos proclamar liberdade aos cativos, ainda que continuem cumprindo suas penas, não há nada de errado na pena, o errado é tirar a dignidade dessas pessoas da mesma forma que tem sido feito com negros, mulheres, nordestinos, deficientes e tantos outros que têm sua dignidade usurpada pelo sistema, os moradores de favela, os indígenas que são tratados como sub-gente; como se não tivessem os mesmos direitos e prerrogativas legais que temos. O grande problema é quando os cristãos acham que isso é normal. Tratam o nordestino diferente, o negro ou favelado de forma diferenciada e não percebem que tudo isso é extremamente conflitante com o cristianismo que pregamos e deveríamos viver; o cristianismo de Jesus.
Mas se Jesus está preso juntamente com todos os demais ‘inconvenientes sociais’, abandonamos nossas prisões às traças, deixamos os detentos morrerem de forma brutal e desumana, deixamos que as necessidades básicas não sejam supridas... Jesus está sendo crucificado ainda hoje por nós, quando permitimos com nosso SILÊNCIO que o sistema prisional brasileiro seja do jeito que é.
Precisamos tomar uma atitude, uma posição, cobrar de nossos governantes e políticos uma solução efetiva para os presos do nosso país, por que Jesus disse: “estive preso e vocês nem sequer foram me visitar”. A melhor forma de visitarmos aqueles que estão em uma situação de deplorável abandono dentro das prisões brasileiras é clamando por Justiça, proclamando a libertação deles: que eles sejam libertos dentro das prisões, libertos da desumanidade com que vêm sendo tratados, libertos ainda da falta de dignidade com que o nosso sistema trata aquele que cometeu qualquer ato ilícito.[1]
Mas, enquanto nós cristãos não levarmos a sério nossa responsabilidade diante da sociedade, o nosso papel será completamente dispensável, a História vai lembrar de nós como crentes fracos, historiadores vão citar a igreja brasileira como uma igreja de faixada, uma igreja de mentira, que não foi capaz de pregar libertação aos cativos no meio de uma situação de indignidade total.
Fica na Paz



[1] A defesa não é de um lado em detrimento do outro, a defesa é do amor libertador que dignifica todo homem. Os grevistas também precisam ter sua dignidade respeitada e garantida.